Caixa Cultural São Paulo apresenta FUSÃO, de Gustavo Magalhães
- 15 de set. de 2024
- 3 min de leitura
Com expografia pensada a partir de obras suspensas, mostra destaca a relação entre pintura e suporte

A CAIXA Cultural São Paulo apresenta, de 24 de setembro a 24 de novembro de 2024, a exposição FUSÃO, do artista paranaense Gustavo Magalhães. Com curadoria de Ayala Prazeres, a mostra reúne obras produzidas desde 2018, utilizando materiais descartados, como madeiras, papeis e tecidos recolhidos pelo artista nas ruas ou doados por colegas.
Os trabalhos destacam diferentes texturas e estruturas, explorando a função do suporte na pintura e a relação entre materialidade e criação artística. A entrada é gratuita.
Natural de Goioerê, no Paraná, e com 26 anos, o artista visual Gustavo Magalhães vem se dedicando à pintura desde 2013. Suas obras estabelecem um diálogo com a historiografia da arte e abordam temas como raça, identidade, materialidade e violência.
O artista utiliza como suporte materiais coletados das ruas, imagens de redes sociais, bancos de imagens, e produções audiovisuais. Na pintura, o "suporte" é o material sobre o qual a obra é criada. Para Gustavo Magalhães, as especificidades dos materiais, com suas "imperfeições" como rachaduras, texturas disformes e memórias impressas nas superfícies, é fundamental para a construção pictórica.
O suporte se torna um elemento essencial na construção do sentido das pinturas, atribuindo novos propósitos e interpretações aos elementos, além de reivindicar um novo tempo e uma nova forma de olhar. “Suporte e pintura se mesclam em um só corpo, construindo, a partir do encontro das duas
e em um movimento não hierarquizado, a obra de arte”, afirma.

Em um mundo saturado por imagens, onde o consumo diário pode banalizar o poder semântico contido nelas, o artista nos convida a refletir sobre como a lógica de consumo e descarte do necrocapitalismo neoliberal acelera nossa percepção e desvaloriza qualidades sensíveis e abstratas.
Rafael Rodrigues, idealizador do projeto, observa que o processo de criação de Gustavo Magalhães reflete uma relação estreita entre arte e cotidiano. Ele destaca que, apesar das crises que essa relação frequentemente enfrenta, ela é mediada por uma sensibilidade que abre espaço para novas possibilidades. Para ele, o uso de materiais descartados nas pinturas não apenas remete à história da arte, mas também aborda as condições de trabalho de um artista contemporâneo racializado no Brasil atual.
Ayala Prazeres, curadora da mostra, acrescenta que a materialidade e as construções de Gustavo Magalhães constituem uma ecologia visual, na qual a matéria tem tanta importância quanto a pintura em si. Ela descreve a interação entre imagens e matéria presentes nas obras do artista como um processo simbiótico, um movimento de transformação e convivência mútua, onde as partes se fundem para gerar novas possibilidades e transições
de um estado para outro.
Na abertura da exposição, marcada para o dia 24 de setembro às 15h, o artista realizará
uma visita guiada ao lado da curadora Ayala Prazeres. Com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal, o público terá a oportunidade de conferir gratuitamente, até o dia 24 de novembro, obras pintadas a óleo, com algumas delas expostas de forma suspensa na galeria.
SERVIÇO:
Exposição FUSÃO
Local: CAIXA Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 - Centro Histórico de São
Paulo, São Paulo – SP
Abertura: 24 de setembro, das 15h às 18h.
Visitação: De 24 de setembro a 24 de novembro de 2024
Horário: de terça a domingo, das 9h às 18h
Ingressos: entrada gratuita
Informações: (11) 3321-4400
www.caixacultural.gov.br e @caixaculturalsp
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal
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