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Eu amarelo: Carolina Maria de Jesus

  • 5 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 8 de fev.

Produção: Viramundo

Local: Caixa Cultural São Paulo

Período: De 30 de janeiro a 02 de fevereiro de 2025


Atuação Colateral Comunicação: Assessoria de imprensa e Clipping




A CAIXA Cultural São Paulo apresentou, entre 30 de janeiro e 02 de fevereiro de 2025, o espetáculo “Eu Amarelo: Carolina Maria de Jesus”, com dramaturgia de Elissandro Aquino e direção de Isaac Bernat. Com entrada gratuita, a montagem ofereceu um retrato contundente da vida e da obra de uma das maiores escritoras negras da literatura brasileira do século XX.


Carolina Maria de Jesus dedicou sua vida à literatura, transformando palavras retiradas do lixo em relatos que denunciaram as desigualdades sociais de seu tempo. Carlos Drummond de Andrade a definiu como “a mais necessária e visceral flor do lodo”. Sua obra mais conhecida, “Quarto de Despejo”, vendeu mais de um milhão de exemplares, foi traduzida para 13 idiomas e alcançou leitores em cerca de 80 países. O livro serviu de base para a adaptação teatral, revelando as profundezas de uma trajetória marcada pela escassez e pela resiliência.


Além de Quarto de Despejo, o espetáculo incorporou fragmentos de outras obras da autora, como Diário de Bitita e Casa de Alvenaria, além de pesquisas biográficas e provérbios. Para Elissandro Aquino, Carolina se afirmou como um corpo-manifesto político, cujas palavras revelaram camadas profundas de racismo, desigualdade social, feminicídio e genocídio, convidando o público a encarar a miséria estrutural do país.


A literatura de Carolina Maria de Jesus foi redescoberta no Brasil na década de 1990, a partir das pesquisas de José Carlos Sebe Bom Meihy e do norte-americano Robert Levine. No exterior, porém, sua obra nunca deixou de ser lida e estudada, especialmente nos Estados Unidos, onde Quarto de Despejo, publicado como Child of the Dark, passou a integrar o currículo escolar.


O espetáculo percorreu três momentos centrais da trajetória da escritora: a vivência na favela que deu origem aos diários, sua ascensão como fenômeno editorial e o período de esquecimento. Quase cinquenta anos após sua morte, o Brasil voltou a se debruçar sobre as palavras de Carolina Maria de Jesus, que afirmou em vida que ninguém apagaria aquilo que escreveu.


No palco, a atriz Maiara Carvalho deu voz aos versos, às histórias, às conquistas e aos sonhos da escritora. Para a atriz, interpretar Carolina foi também narrar a história de muitas mulheres que enfrentaram a falta de acesso a direitos básicos e dignidade, revelando injustiças que permanecem atuais.


Segundo o diretor Isaac Bernat, o exemplo de superação deixado por Carolina Maria de Jesus serviu como estímulo para que pessoas oprimidas e excluídas continuassem acreditando em seus sonhos, reafirmando a força do teatro como instrumento de transformação.


Além das apresentações, o público pôde participar da oficina “O Olhar do Griot sobre o Ofício do Ator”, ministrada por Isaac Bernat nos dias 30 e 31 de janeiro, na CAIXA Cultural São Paulo. A atividade gratuita compartilhou experiências do diretor com o Griot Sotigui Kouyaté e contou com vagas limitadas, mediante inscrição prévia.






 
 

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