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Exposição “Orixás”, de Josafá Neves, chega ao Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA)

  • 7 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 8 de fev.

Com curadoria de Bené Fonteles, a mostra convida o público para uma imersão visual nas raízes afro-brasileiras


Foto: Arapuá Comunicação
Foto: Arapuá Comunicação

De 14 de novembro de 2025 a 18 de janeiro de 2026, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) recebe a exposição “Orixás”, do artista brasiliense Josafá Neves (@negozafa), com curadoria de Bené Fonteles.


Após passar por Brasília, onde foi apresentada no Museu Nacional da República e no Museu Vivo da Memória Candanga, e por São Paulo, no Memorial da América Latina, a mostra chega à Bahia para uma nova montagem que convida o público a uma imersão sensorial e simbólica nas raízes afro-brasileiras, em diálogo com a força do território baiano, berço dos orixás e das tradições de matriz africana.


Inaugurada no Mês da Consciência Negra, “Orixás” reforça o compromisso do artista com a valorização da ancestralidade afro-brasileira e com a potência simbólica da arte como território de memória, fé, celebração e resistência.


Foto: Arapuá Comunicação
Foto: Arapuá Comunicação

A nova montagem da exposição ocupa a Capela do Solar do Unhão, um dos espaços mais emblemáticos do conjunto arquitetônico do MAM-BA. Foi a partir da atmosfera desse lugar que Josafá Neves concebeu “Iansã”, uma instalação que se integra ao espaço e o transforma. No centro da capela, uma escultura da orixá, rainha dos ventos, se ergue envolta por trezentos fios vermelhos adornados com búzios, que evocam os raios e a força de sua presença.


A obra nasceu da experiência do artista em residência em Angola, em 2023, onde produziu a escultura de Iansã que agora retorna ao Brasil e ganha novo sentido neste espaço. Durante o processo de concepção da mostra em Salvador, Josafá foi tocado pelos ventos que sopram no entorno do Solar do Unhão, à beira-mar, inspiração que o levou a dedicar a instalação à orixá. “Me sinto honrado e contemplado por esta oportunidade e por tudo que Iansã representa”, afirma Josafá Neves. Para o artista, criar em diferentes territórios é também um gesto de oferenda e encontro, e cada edição de Orixás assume novas formas e sentidos, resultando em uma experiência particular para o público.


Permeadas pela força dos deuses e pela espiritualidade que atravessa o cotidiano, as obras de Josafá Neves oferecem uma leitura contemporânea da cosmovisão africana, estabelecendo conexões entre natureza, rituais e saberes ancestrais. Com mais de 25 anos de trajetória, o artista desenvolve um trabalho marcado pelo diálogo profundo com as estéticas afro-brasileiras, as narrativas da diáspora africana e a força da ancestralidade. Seu percurso inclui exposições em instituições do Brasil, América Latina, Europa, Estados

Unidos e Angola, além do título de Doutor Honoris Causa, em reconhecimento à sua contribuição para as artes visuais e à valorização das culturas afro-diaspóricas.


Inspirado pelo universo geométrico de Rubem Valentim, Josafá traduz em pinturas a óleo sobre tela as cores, formas e símbolos dos orixás cultuados no Brasil: Exu, Oxum, Obá, Oxóssi, Ogum, Oxaguiã, Iansã, Iemanjá, Logunedé, Nanã, Omolu, Ossain, Oxalá e Xangô, reafirmando pela arte a potência estética e espiritual das tradições africanas que formam o Brasil.


“Josafá nos liberta das normas ao encarnar na pintura a energia forte que vem desde suas ancestralidades, desde o rupestre até o contemporâneo, rompendo limites e territórios imaginados”, afirma o curador Bené Fonteles. Para ele, “as oferendas sofisticadas e ousadas da estética de um Candomblé artístico e transversal fazem da arte de Josafá uma ponte poética para se chegar à energia visceral e criadora da entidade”. A mostra, diz Bené, não apenas representa os orixás, mas os incorpora como potência plástica, espiritual e poética.


Entre os destaques da exposição estão as “Cabeças de Orixás”, conjunto de esculturas em cerâmica pintadas com as cores e símbolos sagrados de diferentes divindades. As obras fazem referência ao orí, palavra iorubá que significa “cabeça” e representa o espaço sagrado onde habita o axé, princípio vital que liga o ser humano à sua espiritualidade e ao divino.


Idealizada e produzida pela Medula Arte Design e Incentivem Soluções Culturais. Com apoio institucional do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), Secretaria da Cultura e Governo do Estado da Bahia. Realização: Circuito Funarte de Artes Visuais Marcantonio Vilaça, Rede das Artes - Programa de Difusão Cultural, Fundação Nacional das Artes (Funarte), Ministério da Cultura e Governo Federal. O projeto faz parte do Circuito Funarte de Artes Visuais Marcantonio Vilaça 2023.



SERVIÇO:


ORIXÁS”, de Josafá Neves | (@negozafa)

Abertura: 14 de novembro - às 18h | Visita guiada com o artista.

Visitação: de 14 de novembro de 2025 a 18 de janeiro de 2026

Local: Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA)

Endereço: Av. Lafayete Coutinho - Comércio, Salvador - BA

Visitação: de terça a domingo, das 10h às 17h

Classificação: Livre

Entrada gratuita

 
 

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